Repentinamente fomos convidados a mudar a nossa rotina de trabalho, os nossos horários, nossas atividades, nossos afazeres domésticos e tantas outras tarefas que sempre preencheram o nosso tempo. Esse tempo que quase sempre é tão apressado, ligeiro que só ele, parece-nos alentecido, cansou de ser acelerado logo agora que desejamos tanto a sua velocidade.
Esse movimento está trazendo consigo angústias de várias ordens aos nossos corações. Dinâmica familiar, trabalho, responsabilidades financeiras e até o nosso bem mais precioso – a saúde – estão envolvidos.
Passar por esses dias de incerteza sem temer seria querer muito de nós, seres ainda tão inseguros. É certo que as nossas inseguranças falam muito de nós e da nossa biografia mas, não duvidem, falam também muito do nosso tempo. Percebam ao entorno, todos parecem estar envolvidos. As notícias chegam sem pedir licença, áudios e vídeos que nem sequer solicitamos aportam para nos perturbar.
E agora, o que fazer com tudo isso?
Escrevo essas palavras em uma tentativa de trazer algum conforto – inicialmente para mim mesmo, certamente.
O medo é um estado de afetos desencadeado pela consciência do perigo. A ansiedade, por sua vez, carrega do medo muitos dos afetos negativos porém, muitas das vezes, este perigo não é nosso conhecido. Sobre afetos negativos, podemos falar, ainda, sobre insegurança, tristeza, isolamento, desesperança e irritabilidade.
As dificuldades podem surgir de diversas fontes e, certamente, um dos principais desafios é o da construção das estratégias para lidar com tudo isso.
- Pratique a resiliência. Tente perceber o que pode aprender com estes dias. Quais as lições tirar do silêncio e do isolamento. Descubra, com pés firmes ao chão, a própria formas de tirar aprendizados dessa pausa que a vida parece ter dado. Entender que “isso também passará” pode ser um dos caminhos.
- Não se entregue ao ócio. Se você estiver em quarentena a primeira ideia é levantar da cama e tirar o pijama! Tente preencher os seus dias com atividades que podem te trazer significados. Atualizar algumas coisas do trabalho e dos estudos e organizar aquela parte do guarda-roupas que está bagunçada há um tempo pode ser o início. Tente estabelecer minimamente uma rotina, isso irá preencher o seu dia e diminuirá a incômoda sensação de que o tempo parou.
- Faça, em casa, as suas coisas preferidas. Ouvir uma boa música, assistir aqueles filmes e séries que foram lançados recentemente e realizar uma chamada de vídeo com amigos e familiares podem ser estratégias.
- Cuide do seu corpo. Siga alimentando-se bem, sem excessos. Tente estabelecer alguma rotina de atividades físicas (mesmo em casa isso é possível!). Ah, certamente esse não é o melhor momento para o início de uma dieta, ok?
- Preserve-se das redes sociais. O excesso de informações e conexões com tecnologias tendem a aumentar incertezas e preocupações. Filtre a qualidade dos grupos aos quais faz parte e a qualidade das mensagens lidas. Cuidado com as fake news!
- Conecte-se com pessoas. Mas, se estiver sozinho, tudo bem! Conecte-se com você mesmo. A meditação parece ser uma estratégia muito efetiva para isto, vamos começar?
- Exercite a espiritualidade. Encontrar sentido, significado e propósito nas situações nos direciona a um estado psíquico de maior confiança, auto-controle e resiliência. A espiritualidade, não necessariamente praticada através de uma instituição religiosa, mostra-se como uma valiosa estratégia de enfrentamento.
- Peça ajuda. Tudo bem não estar bem, tudo bem sentir este turbilhão de emoções aí. Vamos tentar entender que tudo isso pode passar e que a nossa vida logo voltará a seguir o seu fluxo e que nós poderemos, inclusive, sair dessa situação com lições valiosas.
- Não interrompa o seu tratamento. Se você realiza algum tipo de acompanhamento psiquiátrico e/ou psicoterapêutico não o interrompa neste momento. Certamente este é um momento de extrema importância para que você atinja o restabelecimento da sua saúde psíquica.
O pensamento coletivo, o direito do outro e a condição de humanidade, que contempla o princípio da compaixão, são diretrizes necessárias à interpretação da atual situação de crise. Lidar com a frustração e com o descontrole e buscar manter a calma é o grande desafio.
Enfrentando a pandemia
Coronavírus e COVID-19: do que estamos falando?
O coronavírus foi notificado pela primeira vez na provícia chinesa de Hubei, no final de 2019 e sua repercussão clínica é a COVID-19 ou Doença causada pelo Coronavirus, do inglês Corona Virus Desease. O quadro clínico da doença é parecido com o de uma gripe e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% dos infectados desenvolvem sintomas leves, 14% graves e 6% gravíssimos. Estes últimos, no mais das vezes, são compartilhados por pessoas dos grupos de riscos (idosos e pessoas com doenças crônicas). Tosse, espirros, febre e dificuldade para respirar são os sintomas mais prevalentes. Em alguns casos, ainda, dores musculares, congestão nasal e dor de garganta podem estar presentes.
Como se prevenir?
As estratégias são mais simples do que se imagina!
- Isolamento social, para aqueles que puderem;
- Para aqueles que dispõe de água e sabão, lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20s, atingindo todas as partes das mãos;
- Caso disponha de ácool em gel à 70%, fazer uso do mesmo, especialmente fora de casa e quando as mãos entrarem em contato com alguma superfície;
- Evitar tocar nos olhos, boca e nariz com as mãos não higienizadas;
- Quando espirrar, cobrir a boca e o nariz com a parte de dentro do cotovelo ou com um lenço de papel descartável;
- Fique em casa.
Quando procurar um serviço de saúde?
Caso esteja com algum sintoma gripal como os relatados acima, você pode medicar-se com dipirona ou paracetamol em domicílio. Você deve, a todo custo, evitar sair de casa no sentido de, caso esteja com um resfriado comum, não se expor a um ambiente potencialmente contaminado e, caso esteja com a COVID-19, não expor outras pessoas ao contágio. Repouse, siga as medidas de higiene e beba bastante líquido. Neste cenário de sintomas leves, apenas bebês menores de 6m, gestantes, mulheres que deram à luz há menos de 40 dias, idosos e pessoas com doenças crônicas devem procurar o serviço de saúde.
Procure uma Unidade de Saúde. Se sentir cansaço, falta de ar, dor ao respirar ou se a febre não passar procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da sua casa ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou o serviço de emergência clínica de um hospital privado, caso você possua algum convênio de saúde.

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